Centenária, bela, encantadora, Aquiraz comemora seus 313 anos em meio aos incessantes avanços tecnológicos do século XXI e as mesmas artimanhas políticas do século XVII. História e política se misturam no cenário aquirazense, sendo que a segunda se sobrepõe à primeira.

Contudo, após séculos, nossa natureza continua exuberante, do sertão ao mar. Nossa história ainda teima em manter suas raízes. O patrimônio histórico e cultural de Aquiraz é de um valor inestimável. Hoje, além da preservação desse patrimônio, pelo próprio povo, já que temos uma Secretaria Municipal de Cultura falha (não pelos funcionários que nela trabalham, mas por quem a ordena), temos, ainda, um grande potencial humano, talentos da terra em vários segmentos artístico-culturais esperando oportunidade. A música, o teatro, a dança, as artes visuais, a literatura, o artesanato, o esporte (não apenas o futebol), enfim, a diversidade de setores onde podemos encontrar gente boa, que mandam bem no que fazem, é muito abrangente. Temos talento para tudo. Somos 72.628 habitantes.

Nesses 313 anos de nossa cidade, Aquiraz, tudo o que queremos é viver bem coletivamente, usufruir de um serviço público digno, ter a nossa segurança garantida e uma educação de qualidade para nossos filhos, esperar menos tempo nas filas de banco, cuidar dos nossos irmãos dependentes químicos, sem desprezá-los nem discriminá-los, ter representações em várias modalidades esportivas levando o nome de nossa cidade para todo o país e trazendo alegria para o nosso povo, ter representações no campo artístico, já que temos talento para isso, poder ir e vir a qualquer uma de nossas praias sem restrição ou pagamento, ter acesso a todos os bens e serviços públicos, sem quaisquer impedimentos, ter transporte coletivo circulando por toda cidade e não apenas onde interessa aos bolsos das empresas de transporte, pagando, inclusive, um preço justo pelas abusivas passagens, ter direito à meia-passagem e à meia-entrada em eventos culturais para todos os estudantes do nosso município, ter mais opções de lazer e entretenimento, ter mais respeito ao meio-ambiente e não mais permitir que nossa cidade sinta o fedor do lixão, ter amor e paz entre todos nós. É isso!

Um pouco de História

Fundação da cidade de Aquiraz

Transcrição de texto (adaptado à linguagem atual), provavelmente um anuário da época, que se encontra na Biblioteca Pública, em Fortaleza:

“13 de Fevereiro – Ordem Régia mandando criar Villa na capitania do Ceará

Esse documento é concebido nos seguintes termos:

Governador da Capitania de Pernambuco. Havendo visto o que informantes (como se vos tinha ordenado) sobre a forma que há de governo no Ceará, representando-me ser conveniente e acertado mandar se elejam oficiais da câmara, juízes ordinários, como há no Rio Grande para assim se atalharem parte das insolências, que costumam cometer os capitães mores, e se administrar melhor a justiça, dando-se-lhe também o nome de Villa ou cidade àquela povoação por o não ser ainda, e consideradas as vossas razões e que será muito conveniente o que nelas apontais. Fui servido resolver que se crie em Villa o Ceará e que tenha oficiais de câmara e juiz ordinário na forma que mandei praticar com muitas terras do sertão da Bahia, para por este meio se evitarem muitos prejuízos que até agora se experimentavam por falta de terem em seu governo aqueles moradores do Ceará modo de justiça; do que vos aviso para que nesta conformidade ponhais em execução e que por esta ordeno. Escrita em Lisboa, a 13 de Fevereiro de 1699. Rei D. Pedro II.”

Escravinha Catharina

No dia 24 de dezembro de 1869, Aquiraz alforriava, declarava liberta para todo o sempre a escravinha Catharina, de apenas 5 anos. (Clique aqui, para visualizar a Carta de Alforria e ler a matéria)

Igreja São José de Ribamar

A igreja matriz de São José de Ribamar é o mais antigo templo católico do Ceará. Sua construção teve início em 1716. Suas torres foram erguidas em 1877 por ocasião da seca que aconteceu naquele ano, onde a mão-de-obra dos retirantes foi aproveitada em construções públicas.O templo é feito em estilo barroco com vários detalhes clássicos. O forro da capela-mor é ornamentado com 12 afrescos representando passagens da vida do padroeiro São José de Ribamar, o qual segundo a lenda foi achado em uma das praias de Aquiraz.

Um artigo da jornalista e escritora Lúcia Helena Galvão, sobre a histórica Igreja Matriz São José de Ribamar, faz referências às pinturas a óleo no forro de madeira da Igreja, cuja história narra a vida de São José. (Clique aqui para ler a publicação na íntegra)

Casa do Capitão Mor


A casa do capitão-mor localizada na sede do município foi construída em meados do século XVIII para servir de residência para as autoridades da capitania, seu primeiro morador foi o capitão-mor Manuel Francês, fundador da vila de fortaleza. Posteriormente o prédio serviu como sede da  ouvidoria e câmara municipal.

Hospício dos Jesuítas

A casa de hospedagem funcionava como ponto de apoio para os missionários, autoridades e demais viajantes que se aventuravam pelas terras brasileiras. Em Aquiraz por volta de 1727 foi fundado um desses estabelecimentos que também consistia numa escola de artes e ofícios, onde se ensinava Latim e Humanidades, podendo ser considerado o primeiro seminário do Ceará e, indo mais além, o primeiro protótipo de universidade do Estado.

Os restos da antiga capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso são um dos poucos testemunhos do ousado empreendimento dos jesuítas que estiveram na antiga capital cearense na época.

Casa de Câmara e Cadeia

A construção do prédio que abriga o atual Museu Sacro S. José de Ribamar deu-se por volta de 1742, de início foi construída apenas a parte inferior onde funcionava a antiga cadeia pública e posteriormente, em 1877, foi construída a parte superior, onde funcionava Prefeitura, Câmara, Fórum, e um Salão para bailes. Somente em 1967 passou a ser museu, administrado pela Secretaria de Cultura do Estado.

Recentemente, o Museu recebeu uma grande e moderna reforma. No prédio, há, inclusive, um elevador para cadeirantes. Vale à pena conferir as preciosidades do nosso museu.

Antigo Mercado da Carne


O Mercado da Carne foi construído em meados do século XIX. Associado ao surgimento das charqueadas, tem sua edificação principal em planta quadrada, com técnicas construtivas compatíveis ao ambiente e à época, utilizando-se da carnaúba, da telha de barro e da tijoleira como materiais expressivos na sua construção – concebida e tratada de forma a constituir-se numa “das obras mais importantes da arquitetura do país”(*).

(*) JOSÉ LIBERAL DE CASTRO
Arquiteto, professor da UFC, membro do Instituto do Ceará.

Cristo Redentor da Preaoca

Construído em 1944, por vários mestres de obra, entre eles o Sr. Valdevino, morador de Guanacês, por iniciativa do Sr. Luiz Gonzaga dos Santos, agricultor, comerciante local e proprietário da serra, localizada no distrito de Caponga da Bernarda.

O monumento tem 10 metros de altura, sendo 6 metros de pilar (coluna) e 4 metros de Imagem, e fica de costas para o mar, de frente para sua casa e suas propriedades.

Inauguração da Ponte sobre o Rio Pacoti


Em 1958, a ponte, na entrada na cidade, foi inaugurada. Na época, foi um evento de grande porte, que movimentou toda a cidade e onde o governador Plácido Castelo se fez presente. Antigamente, para se atravessar o rio, era necessário fazê-lo de canoa, como ilustra a primeira imagem desta matéria.

Casario Antigo – Centro Histórico


Aquiraz, nas primeiras décadas do século passado. Na fotografia, pode-se ver as duas casas onde, hoje, são os cartórios Queiroz e Florêncio, localizados em frente à Praça Matriz. A rua retratada é a Rua Nogueira Acioli, atual Rua Virgílio Coelho e o quarteirão é o mesmo onde hoje temos os referidos cartórios, a Coelce, o eterno Armarinho da Eliane, etc.

O poste, na imagem, fica em frente a uma casa ao lado de onde é hoje a Coelce. Mas não se engane, o poste que você vê não é um poste de energia elétrica, pois não havia tal energia naquela época. É o poste dos telégrafos, que seguia pela conhecida Estrada do Fio até Fortaleza. Na casa, em frente ao poste, funcionava um posto dos telégrafos. Os telégrafos remontam à Monarquia (1822-1889), e aqui chegaram em 1852.

Inauguração da Energia Elétrica


Na década de 1960, mais um evento de grade porte movimentava toda a cidade de Aquiraz que, até então, encontrava-se às escuras. Era a inauguração da Energia Elétrica, comemorada na Praça Matriz de Aquiraz.

Tribo Indígena Jenipapo-Kanindé

Os Jenipapo-Kanindé habitam uma área de aproximadamente 10 hectares às margens da Lagoa da Encantada, situada no distrito de Jacaúna, município de Aquiraz

Desde 1997, os Jenipapo-Kanindé estão sendo objeto de estudos por parte da FUNAI, com vistas à regularização de suas terras e às outras garantias constitucionais.

As residências são construídas pelos próprios indígenas. Algumas casas são construídas de taipa e cobertas com palha de coqueiro. Outras são construídas inteiramente com palha, utilizando matéria-prima abundante na localidade e tecnologia indígena tradicional.

No tocante à agricultura, são cultivados o milho, o feijão, a batata doce, o jerimum, o maxixe, a macaxeira e a mandioca. Excetuando-se a mandioca, que “dá o ano todo”, os demais produtos são de cultivo sazonal, sendo o plantio melhor aproveitado durante o período de chuvas, que se estende de janeiro a maio.

Congo Real de Aquiraz


Manifestações como o Congo Real, existente há mais de um século em Aquiraz, auto que representa através de dança, música e canto a disputa de um rei contra um embaixador da Rainha Africana Niginga Nimbandi (no Brasil, primeiro registro 1778), que havia sido apresentado pela última vez no ano de 1960.

Caninha Verde


A Caninha Verde, manifestação encontrada no Iguape, que tem como precursor o pescador Mestre Paulino Elias de Oliveira, foi reativada.

Foi encontrado e catalogado um disco da Caninha Verde gravado pela Funarte em 1975.

Coco do Iguape


Manifestação cultural até hoje preservada no Iguape, por jangadeiros e moradores do local.

Banda Municipal Virgílio Coelho


A banda de música oficial do município, foi fundada por Virgílio Coelho, em 1958.

A Banda faz seus ensaios no antigo Mercado da Carne e se apresenta em ocasiões festivas como feriados nacionais e municipais, e festas religiosas. Grande parte de seus músicos, regidos pelo Maestro Tarcísio Lima, são jovens que dedicam parte do seu tempo à arte da música. O repertório da banda é enorme. Tem música para todos os gostos.

Outras histórias e monumentos não devem ser esquecidos como o Quilombo da Lagoa de Ramos, a Ponte Imperial dos Ingleses, as Lendas, os festejos religiosos, a Capoeira, os prisioneiros da praia do Presídio e muito mais.

Esta publicação só foi possível, devido ao grandioso  trabalho dos garotos do Mapeamento Cutural, dentre eles (15 jovens), Ronald Tavares, Arnóbio Santiago e o grande instrutor dessa grande obra, Pingo de Fortaleza.

Parabéns Agoakirá, por seus 313 anos!

Por Joaquim Paiva
Relações Públicas da AGAGE

Fonte: Mapeamento Cultural e Biblioteca Pública do Estado do Ceará