Aquiraz comemora uma de suas mais tradicionais festas, os festejos de São sebastião, co-padroeiro da cidade. Uma multidão estava presente na praça da matriz, na Sede do município, nesta noite, entre turistas e gente de todos os cantos da cidade. Muitas crianças, vovós e vovôs estavam na praça e no entorno da Igreja, nas dezenas de barracas de comidas típicas e no parque de diversões. De repente, por volta das 21h, sons de tiros causam pânico em milhares de pessoas que saem correndo sem destino pelas ruas da cidade. Pessoas se escondiam na Igreja, nas barracas, nas casas da vizinhança e onde encontrasse um abrigo. Era um corre-corre frenético onde as pessoas, principalmente crianças, corriam chorando com medo de balas perdidas.

Infelizmente, três pessoas saíram baleadas. Ao que consta, uma das vítimas foi fatal. Testemunhas falam que um homem saiu de um carro e logo foi atirando em uma mulher, suposto alvo. Um rapaz, que estava próximo a mulher foi atingido com dois tiros na cabeça e parece ter chegado ao óbito, ainda no local. A mulher também, segundo dizem, foi atingida na cabeça, mas reagia bem. Segundo testemunhas do local,  ainda houve uma terceira vítima que foi atingida  na altura do ombro por uma bala perdida e que, parece, está fora de perigo. A revolta maior é que o rapaz atingido é uma pessoa de bem, simples, querido pela sociedade e, pior de tudo, estava em serviço, no momento da tragédia, onde trabalhava como fiscal da prefeitura, sinalizando os carros que passavam em um dos acessos à festa. Cerca de meia hora depois, viaturas, motos e carros, do COTAN circulavam as ruas do centro da cidade a procura dos acusados. Até o momento, ninguém foi detido.

A VIOLÊNCIA NÃO PARA!

Ontem, na saída de um clube da cidade ao final de uma festa, mais um ato de violência resultou em uma vítima por bala. Um homem esperou a saída de um rapaz que se fazia presente à festa e disparou dois tiros, na altura do abdômen. O rapaz passou por uma cirurgia e passa bem. Antes, durante o dia, outro rapaz havia sido baleado, também na Sede do município de Aquiraz. O que está acontecendo?

Ao passar dos tempos e com a vida social cada vez mais moderna, os confrontos pessoais, discussões, que não são legais mas que deveriam ser resolvidos na base do diálogo, são, hoje, resolvidos à bala. Qualquer um se acha no direito de possuir uma arma e atirar e quem bem entender. Muitas vezes, as punições são amenas e, quando os acusados pertencem à famílias detentoras do poder, político e econômico, tais punições passam a ser uma grande comédia, quando há punição, claro.

A violência parece não ter freio e a sensação de insegurança tira, cada vez mais, a paz das pessoas de bem. Atirar se torna um ato comum e tirar vidas passou a ser normal diante de tanta impunidade. Sem acesso a uma educação de qualidade, à cultura, aos esportes, ao lazer, ao emprego, as pessoas, sobretudo os jovens, buscam nos caminhos obscuros um meio de se incluir socialmente, mesmo que esse caminho seja perigoso e mortal. Por outro lado, a insuficiência de efetivo da polícia e, no caso dos municípios, de efetivo da guarda municipal, aumenta a sensação de insegurança, ao passo em que favorece a ação criminosa. Há de se investir em inclusão social e no efetivo de segurança para amenizar a fundo os males dessa violência gritante. Há tempos questionamos a segurança. Pouca ou nenhuma ação é verdadeiramente realizada.

O mundo precisa de PAZ! A sociedade exige ATITUDE das autoridades competentes.

Por Joaquim Paiva
Presidente da AGAGE