As redes sociais virou palco de denúncias contra a agressão às dunas do Iguape, em Aquiraz-Ce. Há uma extração ilegal de parte da duna mais próxima do centro da comunidade e, lá, estão se apropriando indevidamente dessa extração, enquanto pescadores defendem a retirada das areias.

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Estive no local, ontem à tarde, e me deparei com uma situação que, talvez, muitos desconheçam. Qualquer ação de remoção, extração etc. de dunas, sem a devida autorização, é ilegal, porém, o que está acontecendo, no Iguape, foi a pedido dos próprios pescadores, nativos do local. Eles estavam lá, defendendo a remoção das areias da duna em questão, afirmando que a Prefeitura havia acatado o pedido deles para que a duna fosse retirada, fazendo com que o local sirva de estacionamento das embarcações. Por esse lado, é fácil compreender o pedido dos jangadeiros, porém, a forma com que está sendo feito é totalmente ilegal, é uma agressão ao meio ambiente.

Ontem, estive também na Prefeitura de Aquiraz e lá me disseram que há um “Parecer” que concede tal execução. Mas não há licença de qualquer órgão fiscalizador. O mais intrigante é o pronto-atendimento da Prefeitura de Aquiraz a essa ação. Os pescadores pediram, a prefeitura imediatamente atendeu, simples assim. Deveriam também pedir o que o restante da comunidade do Iguape necessita, já que foi tão fácil atendê-los.

No local, disseram que a duna estava sendo removida ou empurrada em direção ao mar. Disseram, também, que algumas pessoas pediam e que eram atendidas com carregamento de areia (extração mineral), o que é ilegal. Mas não é tão difícil encontrar algumas razões para o caso, dentre elas, a de que estão se apropriando da extração ilegal para aterramento de áreas privadas.

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Conclusão

A remoção da duna em atendimento ao pedido dos pescadores, apesar de ilegal, pode ser compreendida, pois ali é o mercado de trabalho deles há décadas e não há mais espaço para as jangadas aportarem. E já que foi feito a destruição, deve-se plantar um certo tipo de vegetação, sugerido pelos pescadores, no entorno da área agredida para que isso não se repita no futuro, como já ocorreu tempos atrás, e sempre alguém se beneficiou. O que deve ser questionado é a forma com que se faz tal extração e denunciar quem se apropria dessa extração. Tem gente se beneficiando disso.

Mobilizem a comunidade para fiscalizar. Acionem as associações de bairro para o caso. Unam-se e discutam o melhor para o bairro, mas não deixem fazerem o que bem entendem, quando bem entendem. Qualquer coisa, existe o Ministério Público para isso.

Por Joaquim Paiva
Blogueiro e Presidente da AGAGE – Associação Gente Ajudando Gente